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VENHA DESCOBRIR A ALDEIA DE Cabração

A 14 km para noroeste de Ponte Lima, a aldeia de Cabração situa-se entre duas elevações de natureza distinta: a ocidente, a Serra de Arga, uma imponente montanha granítica; a leste, a cumeada de xistos do Formigoso.

O meio envolvente...

Percorrendo a aldeia fica-se com a visão de uma geologia invulgar, pelos materiais usados na construção e ornamentação tradicionais, em especial xistos e granitos. Afloram por aqui algumas rochas quartzo-feldspáticas com grão muito grosseiro e cristais perfeitos vulgarmente conhecidas como pegmatitos. Na primeira metade do século XX, a exploração de estanho num importante conjunto de filões de pegmatito transformou Cabração numa aldeia mineira. A mina de Monteiros é o melhor exemplo dessa actividade. Em algumas escavações mineiras antigas identificam-se, ainda hoje, alguns minerais muito raros, que em Portugal só são conhecidos nesta região. A Serra de Arga, sobranceira à aldeia, deve a sua designação às ocorrências auríferas que foram exploradas no período de ocupação romana da Península Ibérica. Algumas minas revelam trabalhos antigos que a arqueologia industrial atribui a este período. As gentes de Cabração identificam-se com a vivência mineira. Sinal desta afinidade é o vocabulário regional, que retém as designações corrompidas de alguns minerais: "volfro" (volframite), "vidrilho" (turmalina gema) ou "louça" (feldspato). Entre os símbolos arquitectónicos, contam-se ruínas de instalações e outros vestígios do ciclo do estanho, e mesmo alguns espaços com apetência para actividades de lazer, como são as albufeiras do Lourinhal, que têm na sua origem a indústria extractiva. Actualmente, os principais alvos de prospecção são os minerais industriais, o feldspato, a andaluzite e a petalite. Em Portugal, a petalite foi descoberta pela primeira vez junto desta aldeia. Persiste assim a apetência mineira e a singularidade geológica de Cabração. Em termos gastronómicos, Cabração distingue-se pelo arroz de sarrabulho, rojões à moda do Minho, cozido à portuguesa, cabrito assado, fumeiro (enchidos e presunto), lampreia, enguias, truta, broa de milho, vinho verde e mel. Quanto ao património edificado merecem destaque alguns cruzeiros e a Igreja Paroquial de Santa Maria da Cabração. É uma igreja muito pequena que esteve ligada ao mosteiro do Salvador, de Braga. Em 1761 foi totalmente remodelada. Os leves labores rococó que se podem ver lavrados nas portas principal e lateral repetem-se no interior em todos os retábulos, mas ganham uma nova dimensão num deles, feito em pedra, um dos raríssimos retábulos da segunda metade do século XVIII feito neste material. Na Cabração atraem ainda a nossa atenção algumas raras casas feitas de xisto. A aldeia, em termos paisagísticos, é enquadrada pelo rios Lima e Estorãos, pelas Serras D’Arga e da Labruja e pelo Lugar da Escusa.

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Aldeia de Portugal

Do Porto tome a A3 no sentido Braga/Valença e saia ao km 76 na saída para Ponte da Barca/Ponte de Lima. Após a portagem vire á direita para Ponte de Lima. 2 Km depois encontrará uma rotunda, continue em frente e 1,5 km depois encontrará outra rotunda, vire á direita em direcção a Viana Do Castelo, na terceira rotunda, siga em frente atravesse a ponte. Após as bombas da gasolina encontrará um outra rotunda, siga pela segunda saída, pela N202 em Direcção a Viana do Castelo, 2km depois vire à direita para Moreira do Lima e Cabração. Siga pela EM524 e 4 km depois no entroncamento vire à direita em direcção à Cabração. Continue durante cerca de 5km até chegar à Aldeia.

Coordenadas GPS:
41°49'57.80"N
8°38'56.18"O

Facilidades & Equipamentos

Facilidades da AldeiaAs Aldeias de Portugal, pelas suas condicionantes geográficas, nem sempre estão providas da totalidade dos equipamentos e facilidades que habitualmente encontramos nos centros urbanos. Para que a sua estada nas Aldeias seja o mais agradável possível, deixamos aqui a lista de facilidades e equipamentos que encontrará na Aldeia e proximidades.

Património Cultural & Natural

Património Cutural e Natural da AldeiaNão há terras que nos digam mais sobre as nossas origens, são muitas as construções e os achados que nos dão conta da presença milenar do Homem. Descubra as formas de viver e de sentir destas gentes, a cultura, as artes, a gastronomia e os ofícios tradicionais ancestralmente praticados e que chegaram até aos nossos dias. Estamos nas Aldeias de Portugal, com a rude beleza da terra e a serena grandeza que só o tempo dá.

História

Conheça as Aldeias de Portugal

A actual aldeia da Cabração, terá sido uma quinta de algum nobre godo, o que se retira de uma escritura que as freiras do mosteiro levaram quando foram para o Convento do Salvador de Braga. Aí se diz que, "indo D. Afonso Henriques à caça dos javalis, a esta freguesia, que é na serra de Arga, acompanhado de Nuno Velho, Sancho Nunes, Gonçalo Rodrigues, Lourenço Viegas, Soeiro Mendes (o Gordo), Gonçalo Ramires e outros fidalgos, o abade de Vitorino, D. Fernando, lhes deu aí de jantar, junto à capela de Nossa Senhora de Azevedo, no fim do qual o rei lhe demarcou o couto."

A Lenda da Cabração
Após o recontro no Rêgo do Azar, quis D. Afonso Henriques voltear pelas montanhas próximas, caçando ursos e javalis. Convidou alguns poucos ricos-homens e infanções.
Quando estavam no sítio que hoje se chama Cabração, apareceu muito açodado o Capelão das Freiras de Vitorino das Donas, que à frente de moços com cestos pesados andava desde manhã á busca do real monteador, com um banquete mandado do Mosteiro.
Em boa hora vinha a refeição.
Estendeu-se na relva uma toalha de linho e sentados em troncos de carvalho cortados à pressa, começou o jantar. Alegre ia correndo.
D. Nuno Soares por alcunha Nuno velho o postrimeiro para diferença de seu avô, a quem também haviam chamado o Velho e cujas proezas ainda se recontavam em toda a terra da Cervaria, começou a trinchar um leitão assado.
- Parece-me que tens mais jeito para matar infiéis, - disse-lhe o rei brincando.
- Ai Real senhor, antes eu ficasse morto com os últimos que matei, que desde essa refrega não passo um dia que não me lembre do momento em que o bom Cavaleiro Gonçalo da Maria exalou o derradeiro suspiro encostado a meu peito.
- Quisera eu ouvir da tua boca essa heróica morte do Lidador, interrompeu o Monarca triste, mas curioso. E o Senhor da Torre de Loivo obedeceu, com voz pousada e lágrimas nos olhos.
Ia escurecendo o dia e era tão esquisita a coincidência de estar ali um punhado de homens, senão solenizando um aniversário, festejando uma vitória, que talvez um pressentimento apertasse o coração dos guerreiros.
Atentos, escutavam silenciosos a narração. De golpe ergue-se o Espadeiro e olhou fito para as bandas da Galiza.
- Que examinais D. Egas? – perguntou o Príncipe.
- Vejo além muito ao longe um turbilhão de pó, que se aproxima. São talvez inimigos que procuram encontrar-nos descuidados.
De facto vagalhões de poeira negra encobriam multidão fosse do que fosse. O ruído do torpel era cada vez mais distinto.
- Sejamos prestes – gritou o rei, cingindo o seu enorme espadão. Todos fizeram o mesmo.
- Cavalgar, cavalgar; - já não era outra voz que se ouvia, enquanto cada um se dirigia para o lugar onde se prendera o seu cavalo.
O Capelão olhou, escutou e sentou-se começando a comer aqui e alem os deliciosos postres e bebendo aos goles pachorrentos um licor estomacal, resmungando:
- Deixa-los ir que voltam em breve. Eu era capaz de apostar todo o mel deste monte, em como sei que inimigos são aqueles. E mais dizem que é mel igual ao do Himeto. A história do Lidador é que lhes esquentou a cabeça.
Pouco depois voltavam os monteadores rindo á gargalhada.
- Cabras são: - disse o Rei ao apear-se, e dirigindo-se ao padre: - bem fizestes vós que não bulistes. E D. Afonso tomando um púcaro e enchendo-o de vinho num cangirão, acrescentou:
Bebei todos, que estais muito quentes e podeis ter um resfriado, e dizei-me depois se não valeu a pena o engano para nos refrescarmos agora com este delicioso néctar.
Capelão, quero comemorar o caso de confundir rebanhos de cabras com mesnadas de leonezes e beneficiar o convento para vos honrar a vós que fostes, não sei se mais perspicaz, se mais valente do que nós debicando mui sossegadamente em todos os doces.
Vou coutar aqui uma terra, para que as boas monjas possam de vez em quando apanhar bom ar da montanha e rir-se de nós. Riscou-se o couto e nessa noite os cavaleiros dormiram na ermida da Senhora de Azevedo.
O dito do rei Cabras são corrompeu-se em Cabração.